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Câmara avança em apoio psicológico no SUS para luto materno

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou recentemente um projeto de lei fundamental que visa garantir atendimento psicológico e social prioritário no Sistema Único de Saúde (SUS) para mulheres que enfrentam a dolorosa perda de um filho durante a gravidez ou logo após o parto. A medida, que agora segue para análise do Senado Federal, representa um avanço crucial na proteção da saúde mental e no amparo social a uma parcela vulnerável da população, impactando diretamente a qualidade do serviço público oferecido e os direitos dessas mulheres.

Contexto e detalhes da proposta

O texto aprovado, resultante de uma consolidação proposta pela relatora, deputada Chris Tonietto (PL-RJ), integra elementos do Projeto de Lei 3391/19 e de cinco proposições apensadas. Sua formulação buscou adequar as intenções legislativas à recém-sancionada Política Nacional de Humanização do Luto Materno e Parental, já existente. A essência do novo arcabouço legal reside em suprir lacunas da legislação vigente, que se mostrava omissa em pontos cruciais. A prioridade estabelecida foca na celeridade do atendimento psicológico e social, reconhecendo a urgência de intervenção para mitigar os severos impactos na saúde mental das mães. Além do suporte psicossocial no SUS, o projeto assegura o direito ao registro civil gratuito e à livre escolha de nome e prenome para natimortos, independentemente do tempo de gestação, um reconhecimento humanitário de extrema importância.

Impacto para as trabalhadoras e o serviço público

Esta iniciativa legislativa tem um impacto profundo e direto na vida de mulheres trabalhadoras que vivenciam o luto perinatal ou neonatal. A perda gestacional ou do recém-nascido é um evento traumático que pode desencadear quadros graves de ansiedade, depressão e outros distúrbios psíquicos, afetando sua capacidade de retorno ao trabalho e sua reintegração social. Sem o suporte adequado, muitas são forçadas a lidar com o sofrimento isoladas, o que pode agravar seu estado e, consequentemente, comprometer sua produtividade e bem-estar econômico. A garantia de atendimento prioritário no SUS é uma medida essencial para que essas mulheres possam processar o luto de forma mais saudável, minimizando o afastamento do mercado de trabalho e os custos sociais e familiares associados. Para o serviço público de saúde, a aprovação do projeto implica um desafio e uma oportunidade de aprimoramento. Será necessário investir em capacitação de profissionais, estrutura e recursos para garantir que a prioridade de atendimento seja efetiva e qualificada, valorizando o trabalho dos profissionais de saúde e fortalecendo o SUS como pilar de apoio social. É uma demanda que ressoa com as reivindicações de sindicatos e movimentos sociais por um sistema de saúde mais humano e responsivo às necessidades da classe trabalhadora, especialmente em momentos de vulnerabilidade.

Próximos desdobramentos

Após a aprovação na Câmara dos Deputados, o projeto agora segue para apreciação no Senado Federal, onde também passará por comissões antes de uma possível votação em plenário. A menos que haja um recurso para que seja votado diretamente pelo Plenário da Câmara, a tramitação no Senado será a próxima etapa decisiva. A expectativa é que a proposta avance, dada a sua relevância social e humanitária. Contudo, a efetiva implementação, caso seja sancionada, dependerá de adequações orçamentárias e de gestão no SUS, garantindo que o direito ao atendimento prioritário e ao registro civil gratuito seja plenamente concretizado. É fundamental que as entidades de defesa dos direitos trabalhistas e dos serviços públicos continuem monitorando o processo para assegurar que esta importante conquista social se traduza em benefícios reais para as mulheres brasileiras.

Fonte: https://www.camara.leg.br