Os protestos no Irã completaram onze dias consecutivos no início de janeiro de 2026 e já alcançaram dezenas de cidades em todo o país. Diante desse cenário, o Sindicato dos Trabalhadores da Companhia de Ônibus de Teerã e Subúrbios divulgou uma declaração pública em apoio à mobilização popular, denunciando a repressão estatal e defendendo que a saída para a crise passa pela organização independente da classe trabalhadora.
Além disso, a entidade sindical afirma que as manifestações não representam uma tentativa de retorno ao passado, mas sim a busca por um futuro baseado em liberdade, igualdade, justiça social e dignidade humana. Segundo o sindicato, essa luta se conecta diretamente às condições de vida e trabalho da população iraniana.
Protestos no Irã se espalham apesar da repressão
Segundo relatos reunidos pelo sindicato, ao menos 174 locais em 60 cidades, distribuídas por 25 províncias, registraram protestos e greves ao longo de onze dias. No entanto, o avanço das mobilizações ocorreu em meio a um ambiente fortemente militarizado, com presença intensa de forças policiais e de segurança.
No entanto, a repressão teve consequências graves. Pelo menos 35 manifestantes morreram, incluindo crianças, e centenas de pessoas foram presas. Nesse sentido, o sindicato denuncia o uso sistemático da violência como forma de tentar conter reivindicações populares ligadas à pobreza, ao desemprego, à discriminação e à falta de direitos.
Histórico de lutas populares no país
De acordo com a declaração, os atuais protestos no Irã fazem parte de um longo histórico de mobilizações populares. Desde janeiro de 2018, passando por novembro de 2019 e setembro de 2022, a população tem ido às ruas para rejeitar estruturas políticas e econômicas baseadas na exploração e na desigualdade.
Por outro lado, o sindicato ressalta que esses movimentos não surgem para restaurar antigas formas de poder. Ao contrário, eles expressam a tentativa de construir um novo modelo de sociedade, livre da dominação do capital e de regimes autoritários impostos de cima para baixo.
Classe trabalhadora na linha de frente
Segundo o Sindicato dos Trabalhadores da Companhia de Ônibus de Teerã, diversos setores sociais seguem na linha de frente das mobilizações. Entre eles estão trabalhadores do transporte, professores, aposentados, enfermeiros, estudantes, mulheres e jovens.
Dessa forma, a entidade enfatiza que, apesar das prisões, demissões e da pressão econômica crescente, a participação organizada da classe trabalhadora permanece central. Para o sindicato, somente protestos conscientes, independentes e bem organizados podem abrir caminho para mudanças reais.
Rejeição a líderes impostos e à ingerência externa
O sindicato também deixa claro que não vê solução na imposição de lideranças escolhidas de cima para baixo. Além disso, rejeita qualquer dependência de potências estrangeiras ou de disputas internas entre facções do próprio governo iraniano.
Nesse sentido, a entidade defende a criação de organizações independentes nos locais de trabalho, nas comunidades e em âmbito nacional. Como resultado, os trabalhadores poderiam evitar, mais uma vez, se tornarem vítimas de disputas de poder que não atendem aos seus interesses.
Condenação à intervenção militar estrangeira
Outro ponto central da declaração é a condenação explícita a qualquer forma de propaganda ou apoio à intervenção militar estrangeira. O sindicato cita diretamente países como Estados Unidos e Israel.
Por fim, a entidade alerta que esse tipo de intervenção costuma resultar na destruição da sociedade civil e na morte de civis, além de servir como justificativa para o aumento da repressão interna. Segundo o sindicato, experiências passadas demonstram que potências ocidentais não priorizam os direitos nem a sobrevivência do povo iraniano.
Reivindicações sindicais e condições de trabalho
Paralelamente aos protestos no Irã, o sindicato também apresentou uma lista de reivindicações ligadas às condições de trabalho dos motoristas e demais funcionários da empresa de ônibus de Teerã. Entre os pontos estão reajuste salarial conforme a inflação, fornecimento de equipamentos adequados, segurança no emprego e direitos previdenciários.
Além disso, a entidade denuncia a atuação do chamado Conselho Islâmico do Trabalho, que, segundo os trabalhadores, não representa de forma independente seus interesses e atua alinhado ao empregador e ao governo.
Libertação dos presos e responsabilização dos responsáveis
O sindicato exige a libertação imediata e incondicional de todos os manifestantes detidos. Ao mesmo tempo, cobra a identificação e responsabilização de quem ordenou e executou a repressão violenta contra a população.
Como resultado de sua análise, a entidade reafirma uma mensagem central: a solução para os trabalhadores e para os oprimidos passa pela união, pela solidariedade e pela organização independente.
“Viva a liberdade, a igualdade e a solidariedade de classe. A solução para os trabalhadores é a união e a organização”, conclui o Sindicato dos Trabalhadores da Companhia de Ônibus de Teerã e Subúrbios.
Perguntas e respostas sobre os protestos no Irã
O que está acontecendo no Irã neste momento?
Atualmente, os protestos no Irã reúnem greves e manifestações em dezenas de cidades. Trabalhadores e outros setores da população protestam contra a pobreza, o desemprego, a repressão política e a falta de direitos básicos.
Além disso, sindicatos independentes relatam prisões em massa e mortes de manifestantes, o que indica uma forte repressão por parte do Estado.
Quem está participando dos protestos no Irã?
Nesse sentido, os protestos envolvem trabalhadores do transporte, professores, aposentados, enfermeiros, estudantes, mulheres e jovens. Segundo os sindicatos, a classe trabalhadora ocupa papel central nessas mobilizações.
Por outro lado, o movimento não se limita a uma categoria específica, mas reflete um descontentamento social amplo com as condições de vida e trabalho no país.
O que os sindicatos iranianos defendem?
De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores da Companhia de Ônibus de Teerã, a luta deve ser conduzida de forma independente e organizada pelos próprios trabalhadores. A entidade rejeita líderes impostos de cima para baixo e disputas internas do poder.
Dessa forma, os sindicatos defendem união, solidariedade e a criação de organizações independentes nos locais de trabalho e nas comunidades.
Os protestos no Irã querem voltar ao passado?
Não. Pelo contrário, os sindicatos afirmam que os protestos no Irã não buscam restaurar regimes antigos nem modelos autoritários do passado.
Como resultado, o movimento se apresenta como uma tentativa de construir um futuro baseado em liberdade, igualdade, justiça social e dignidade humana.
Qual é a posição dos sindicatos sobre intervenção estrangeira?
O sindicato de ônibus de Teerã condena qualquer apoio à intervenção militar de países estrangeiros, como Estados Unidos e Israel. Segundo a entidade, essas ações apenas ampliam a destruição e a morte de civis.
Além disso, os sindicatos alertam que intervenções externas costumam fortalecer a repressão interna e não garantem direitos ao povo trabalhador.
Por que os protestos no Irã importam para trabalhadores de outros países?
Por fim, os protestos no Irã mostram que trabalhadores de diferentes países enfrentam problemas semelhantes, como perda de direitos, repressão e precarização das condições de vida.
Nesse contexto, sindicatos iranianos defendem a solidariedade internacional e reforçam que a união e a organização coletiva são caminhos fundamentais para a defesa dos direitos trabalhistas em qualquer lugar do mundo.
Compartilhe isso:
- Clique para compartilhar no Facebook(abre em nova janela) Facebook
- Clique para imprimir(abre em nova janela) Imprimir
- Clique para enviar um link por e-mail para um amigo(abre em nova janela) E-mail
- Clique para compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp
- Clique para compartilhar no Telegram(abre em nova janela) Telegram
- Clique para compartilhar no X(abre em nova janela) 18+

