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Fim da escala 6×1 pode gerar milhões de empregos e impulsionar a economia do país

Fim da escala 6×1 sem redução salarial pode criar 4,5 milhões de empregos, aumentar produtividade e reorganizar jornada de trabalho no Brasil.
Fim da escala 6×1 pode gerar milhões de empregos e impulsionar a economia do país

O debate sobre o fim da escala 6×1 sem redução salarial voltou a ganhar força na agenda sindical e política nacional. Além disso, a pauta conta com apoio declarado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e é considerada prioridade pelo governo federal para 2026.

No entanto, a discussão envolve impactos diretos na economia e no mercado de trabalho. Apesar da resistência de setores do empresariado, que temem aumento de custos com a contratação de mais funcionários, estudos indicam que a redução da jornada e a reorganização das escalas podem ampliar a produtividade, estimular o consumo e gerar milhões de novos postos de trabalho.

Impactos econômicos e sociais da redução da jornada

Segundo a economista Marilane Teixeira, do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit/Unicamp), o regime 4×3 — quatro dias de trabalho e três de descanso — poderia criar entre 4 e 4,5 milhões de empregos nos setores de comércio e serviços. Além disso, a pesquisadora estima um ganho de produtividade em torno de 4,5% caso a jornada semanal seja reduzida para 36 horas.

Como resultado, a redução da jornada não representa perda econômica. Pelo contrário, reorganizar o trabalho melhora o ritmo produtivo. Dessa forma, fortalece o consumo interno e cria empregos”, afirma Teixeira em entrevista à Rádio Brasil de Fato.

Luta sindical e mobilização social

Para o presidente da CUT, Sergio Nobre, a pauta já conquistou apoio da sociedade e de empresas que enxergam a mudança como diferencial competitivo. “As próprias empresas estão transformando a escala 6×1 em ativo competitivo. Além disso, a sociedade compreendeu que menos horas de trabalho não significam menos produtividade”, afirma.

O secretário de Assuntos Financeiros da CUT, Ariovaldo de Camargo, reforça que o governo já sinalizou avanços importantes para a classe trabalhadora, como a isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil. “O próximo passo é avançar na redução da jornada para, no máximo, 40 horas semanais. Assim, os trabalhadores terão mais tempo para a família, lazer e vida pessoal”, acrescenta.

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Além disso, Camargo lembra que a mobilização continuará com novas manifestações. Elas incluem a Marcha a Brasília e o plebiscito promovido no ano passado. A proposta de reorganização da jornada tem como base não apenas a escala 6×1, mas também os direitos garantidos na jornada de trabalho prevista na legislação brasileira.

Projetos em tramitação no Congresso

No Senado, a PEC 148/2025, de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), prevê:

  • Redução imediata da jornada de 44 para 40 horas semanais;
  • Redução gradual de uma hora por ano até chegar a 36 horas;
  • Limite de cinco dias de trabalho por semana, com dois dias de descanso;
  • Manutenção integral dos salários.

O projeto aguarda aprovação em dois turnos no plenário do Senado antes de seguir para a Câmara.

Na Câmara dos Deputados, tramitam três propostas principais: PEC 8/2025 (jornada de 36 horas e fim da escala 6×1), PEC 221/2019 (redução gradual para 36 horas em 10 anos) e PL 67/2025 (redução para 40 horas até 2028). No entanto, essas propostas ainda precisam passar por comissões e plenário.

Pressão política e importância para trabalhadores

Embora 71% da população brasileira apoie o fim da escala 6×1, a maioria dos parlamentares, sobretudo da oposição, ainda resiste à medida. Nesse sentido, especialistas e sindicalistas destacam que o principal obstáculo é político, e não econômico.

Enquanto isso, cresce a pressão social por mudanças que reorganizam o tempo de trabalho e impactam diretamente o bem-estar, a produtividade e o desenvolvimento econômico do país.

Como resultado, o fim da escala 6×1 é visto como uma medida capaz de criar empregos, valorizar o trabalho e equilibrar melhor a relação entre produção e vida pessoal. Dessa forma, contribui para uma economia mais dinâmica e inclusiva.

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