A economia de Trump (Trumponomics), marca uma ruptura com o modelo de globalização que predominou nas últimas décadas. A nova estratégia combina protecionismo agressivo, pressão econômica e fortalecimento do poder militar para manter a hegemonia norte-americana em um cenário de disputa crescente com a China e outros países emergentes.
Especialistas alertam que essa guinada não afeta apenas a geopolítica. Os impactos recaem diretamente sobre a classe trabalhadora em todo o mundo, com efeitos como inflação, precarização do trabalho, instabilidade econômica e cortes em políticas sociais.
Fim da globalização como conhecíamos
Desde os anos 1990, os Estados Unidos lideraram um sistema baseado em cadeias globais de produção, livre circulação de capitais e acordos multilaterais de comércio. Esse modelo, porém, entrou em crise.
Dois fatores centrais explicam a mudança de rumo:
- Crise econômica prolongada do capitalismo, com baixo crescimento e instabilidade desde 2008
- Ascensão da China e dos BRICS, que passaram a disputar espaço econômico, tecnológico e monetário
Diante da perda de força relativa, o governo Trump adota uma postura unilateral: os países devem aceitar as condições impostas por Washington ou enfrentar sanções, tarifas e retaliações comerciais.
Protecionismo e reindustrialização: promessa ou armadilha?
A política econômica de Trump defende tarifas de importação elevadas para forçar a volta de fábricas aos Estados Unidos. Na prática, essa política funciona como instrumento de pressão internacional e moeda de troca em negociações bilaterais.
No entanto, há contradições importantes:
- A indústria moderna gera menos empregos por causa da automação
- Multinacionais dos EUA lucram mais com operações no exterior
- Tarifas elevam custos e pressionam a inflação, reduzindo o poder de compra dos trabalhadores
Assim, a promessa de recuperação massiva de empregos industriais pode não se concretizar, enquanto o custo de vida sobe.
O paradoxo do dólar na política econômica de Trump
A estratégia econômica busca alcançar três objetivos difíceis de conciliar:
- Desvalorizar o dólar para estimular exportações
- Manter o dólar como principal moeda do sistema financeiro global
- Reduzir os juros internos para incentivar investimentos
Esses objetivos entram em conflito. Um dólar fraco pode afastar investidores, enquanto juros menores podem elevar a inflação. O resultado é instabilidade financeira internacional, que costuma ser enfrentada com cortes sociais e retirada de direitos trabalhistas.
Quem paga a conta dentro dos Estados Unidos
No cenário interno, a política econômica de Trump vem acompanhada de medidas que atingem diretamente a população trabalhadora:
- Redução de serviços públicos federais
- Cortes em políticas sociais
- Benefícios fiscais para grandes corporações
- Discurso nacionalista e xenófobo que divide a classe trabalhadora
Enquanto isso, a geração de empregos industriais não compensa as perdas em outros setores, ampliando a precarização e a insegurança no mercado de trabalho.
Protecionismo também prejudica trabalhadores
Embora seja apresentado como defesa da indústria nacional, o protecionismo extremo traz efeitos negativos:
- Aumento dos preços de produtos importados
- Encarecimento de insumos usados pela própria indústria
- Retaliações comerciais de outros países
- Desaceleração do comércio e do crescimento global
Em contextos assim, empresas costumam reagir com cortes de salários, terceirizações e retirada de direitos para manter suas margens de lucro.
Um mundo mais instável e militarizado
A política externa associada à política econômica de Trump também se torna mais agressiva. O governo dos EUA passa a tratar países como aliados subordinados ou inimigos estratégicos, enfraquecendo instituições multilaterais e ampliando tensões militares.
Esse cenário provoca:
- Aumento dos gastos militares em detrimento de políticas sociais
- Risco de conflitos que afetam cadeias produtivas e preços globais
- Pressão sobre países periféricos, incluindo a América Latina
O que está em jogo para os trabalhadores
A disputa entre potências não representa uma alternativa ao modelo que concentra renda e precariza o trabalho. Para os trabalhadores, o desafio é evitar que a crise internacional seja usada como justificativa para retirar direitos.
Entre as tarefas colocadas para sindicatos e movimentos sociais estão:
- Defender cooperação internacional em vez de guerras comerciais
- Proteger direitos trabalhistas diante da pressão por competitividade
- Combater cortes no Estado social
- Fortalecer a solidariedade entre trabalhadores de diferentes países
A nova fase da economia global aponta para mais desigualdade, instabilidade e conflitos. Sem organização sindical e mobilização social, os custos da crise tendem a recair novamente sobre quem vive do trabalho.
Este conteúdo foi produzido com base em conteúdo do VIENTO SUR.
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