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Protestos no Irã desafiam regime, deixam centenas de mortos e recebem apoio de trabalhadores

Protestos no Irã contra inflação e austeridade já deixaram mais de 500 mortos, milhares de presos e motivaram declaração de sindicatos contra repressão e ingerência externa.
Protestos no Irã desafiam regime, deixam centenas de mortos e recebem apoio de trabalhadores

Os protestos no Irã continuam a se espalhar pelo país, mesmo diante de uma repressão violenta do regime teocrático. Até agora, a ofensiva estatal já causou mais de 500 mortes, milhares de feridos e ao menos 10 mil detenções, segundo organizações de direitos humanos.

Além disso, as mobilizações começaram há cerca de duas semanas e já representam o maior desafio ao regime desde a explosão social registrada em 2022. A revolta popular cresce apesar das ameaças, do corte de comunicações e da presença constante das forças de segurança.

Inflação e ajuste econômico impulsionam os protestos no Irã

O estopim das manifestações foi a desvalorização de 16% do rial, ocorrida em dezembro. Como resultado, os preços dos alimentos e de outros produtos básicos dispararam, acumulando alta média de 75% ao longo de 2025.

Além disso, o governo do presidente Masoud Pezeshkian apresentou ao parlamento o Orçamento de 2026 com duras medidas de ajuste fiscal. Entre elas estão o aumento do imposto sobre o consumo e um reajuste salarial para servidores equivalente à metade da inflação anual, estimada em 46%.

Mobilização cresce e atinge várias cidades

Inicialmente, comerciantes do Grande Bazar de Teerã iniciaram uma greve contra os múltiplos câmbios e a corrupção. No entanto, o protesto rapidamente se espalhou e ganhou apoio popular.

Como resultado, as ruas de Teerã, Mashhad, Tabriz, Qom e de diversas outras cidades passaram a reunir jovens, mulheres e trabalhadores. Os manifestantes exigem a queda do governo e do aiatolá Ali Khamenei, principal figura do regime.

Nesse contexto, palavras de ordem como “morte ao ditador” passaram a marcar os atos. Motoristas buzinam em apoio, moradores batem panelas e as marchas seguem em ritmo crescente.

Repressão violenta e apagão de internet

O regime respondeu aos protestos no Irã com repressão policial intensa. As forças de segurança usam munição real, promovem prisões em massa e cercam bairros inteiros.

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Além disso, o governo cortou a internet e grande parte das comunicações no país. A medida busca impedir a circulação de informações e dificultar a coordenação das mobilizações.

Diante da situação, a vencedora do Nobel da Paz Shirin Ebadi alertou que o apagão pode facilitar um massacre. Organizações de direitos humanos e a ONU exigiram investigação independente e respeito ao direito de manifestação.

Apesar da censura, vídeos que mostram a brutalidade policial circularam nas redes. Algumas imagens exibem ataques contra um hospital onde manifestantes tentaram se proteger.

Khamenei ameaça manifestantes

Em discurso recente, o aiatolá Ali Khamenei reafirmou a política repressiva do regime. Ele acusou os manifestantes de atuarem a serviço dos Estados Unidos.

Além disso, o governo iraniano ameaçou aplicar a pena de morte contra pessoas acusadas de “atos violentos” durante os protestos. Mesmo assim, a mobilização segue ativa em várias regiões.

EUA exploram crise e reforçam interesses imperialistas

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou apoio ao “povo iraniano”, ao lado de aliados como Marco Rubio. No entanto, movimentos sociais denunciam o caráter cínico dessas declarações.

É importante lembrar que, em junho de 2025, os EUA atacaram o Irã em apoio ao Estado de Israel durante a chamada “guerra dos 12 dias”. A ofensiva matou mais de mil iranianos.

Além disso, sanções econômicas impostas desde 2011 reduziram drasticamente as exportações de petróleo. Essas medidas aprofundaram a crise econômica vivida pela população.

Trabalhadores defendem luta independente

Em meio aos protestos no Irã, o Sindicato dos Trabalhadores da Companhia de Ônibus de Teerã e Subúrbios divulgou uma declaração política. O texto defende que a classe trabalhadora lidere a luta de forma independente.

Segundo o sindicato, a libertação não virá de líderes autoritários nem da intervenção de potências estrangeiras. O caminho passa pela organização consciente, pela solidariedade e pela auto-organização nos locais de trabalho.

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Além disso, a entidade condenou qualquer apoio à intervenção militar estrangeira, incluindo ações dos Estados Unidos e de Israel. O sindicato também exigiu a libertação imediata de todas as pessoas detidas.

Por fim, os trabalhadores afirmam que apenas a mobilização independente poderá derrubar o regime repressivo e impor um plano econômico voltado às necessidades do povo.