Os preços da indústria registraram queda de 0,37% em novembro em relação a outubro, conforme dados do Índice de Preços ao Produtor (IPP), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado foi influenciado principalmente pelas indústrias extrativas, que apresentaram recuo de 3,43% no período.
Além disso, esse foi o décimo resultado negativo consecutivo do indicador, após uma sequência de 12 altas mensais observadas entre fevereiro de 2024 e janeiro de 2025. No acumulado do ano, os preços da indústria caíram 4,66%, enquanto, no acumulado em 12 meses, a retração chegou a 3,38%.
Indústrias extrativas puxam a queda dos preços da indústria
De acordo com o IPP, pesquisa que mede os valores praticados “na porta da fábrica”, sem impostos e fretes, 12 das 24 atividades industriais investigadas registraram variação negativa em novembro.
Entre os setores com quedas mais intensas, destacaram-se impressão (-3,88%), indústrias extrativas (-3,43%), outros produtos químicos (-1,52%) e papel e celulose (-1,35%). No entanto, algumas atividades apresentaram aumento de preços, o que ajudou a conter uma retração mais acentuada do índice geral.
Cenário internacional influencia o setor extrativo
Segundo Alexandre Brandão, gerente de análise e metodologia do IBGE, o desempenho das indústrias extrativas acompanha de perto o comportamento do mercado internacional. Nesse sentido, os preços do petróleo, do gás natural e dos minerais ferrosos seguiram o movimento global de queda observado em novembro.
No entanto, houve comportamento distinto no caso dos minérios de cobre e seus concentrados, que registraram aumento de preços. Como resultado, essa alta acompanhou a valorização do cobre no mercado internacional, especialmente na Bolsa de Londres.
Por outro lado, o minério de ferro exerceu a maior influência negativa sobre o índice. Segundo o instituto, a queda está associada ao aumento da oferta global combinado com uma demanda mais fraca, sobretudo da China.
Setor de alimentos sustenta recuo prolongado dos preços da indústria
Além dos fatores externos, a sequência de resultados negativos dos preços da indústria também está relacionada a características específicas de alguns setores. O segmento de alimentos foi o principal responsável pelo impacto negativo nos indicadores de médio e longo prazo.
Como resultado, os alimentos contribuíram com -2,55 pontos percentuais para o acumulado no ano e com -2,16 pontos percentuais no acumulado em 12 meses. Açúcares, arroz e resíduos da soja foram os produtos que mais pressionaram o índice para baixo.
Segundo o IBGE, o açúcar foi impactado pela elevada oferta mundial em 2025, com destaque para as exportações brasileiras. No caso da soja, a menor demanda da China influenciou negativamente os preços. Já o arroz contou com aumento da oferta interna, favorecido pela ausência de problemas climáticos relevantes.
Câmbio, categorias econômicas e impactos para o trabalhador
Outro fator relevante foi a valorização do real frente ao dólar, que contribuiu para reduzir os preços industriais em diferentes atividades. Dessa forma, a apreciação cambial ajudou a conter os custos ao longo do ano.
Pela ótica das grandes categorias econômicas, os bens de capital registraram variação de -0,01% em novembro. Já os bens intermediários tiveram queda mais intensa, de 0,75%, enquanto os bens de consumo apresentaram leve alta de 0,09%.
Como resultado, os bens intermediários responderam pela principal influência negativa sobre o índice geral, com peso de 53,54% na composição e contribuição de -0,40 ponto percentual da variação total de -0,37%.
Por fim, a queda dos preços industriais pode aliviar pressões inflacionárias, mas também sinaliza desaceleração em setores estratégicos da economia. Para os trabalhadores, esse movimento pode impactar negociações salariais, níveis de emprego e o poder de compra, especialmente em relação a referências como o salário mínimo, que serve de base para milhões de contratos e benefícios sociais.
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