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SUS em Pauta: PL propõe Terapia Hormonal para Homens

Um Projeto de Lei (PL 6422/25) em tramitação na Câmara dos Deputados visa assegurar a oferta de terapia de reposição hormonal (TRH) para homens diagnosticados com deficiência de testosterona no Sistema Único de Saúde (SUS). A proposta, de autoria do deputado Fausto Pinato (PP-SP), busca formalizar o acesso a um tratamento considerado essencial para a saúde masculina, mas levanta discussões importantes sobre a capacidade de atendimento, o financiamento da saúde pública e os desafios logísticos para a rede de serviço público já sobrecarregada.

Contexto e detalhes da proposta

A iniciativa legislativa define a TRH como um tratamento médico destinado a restabelecer os níveis hormonais em homens que apresentam hipogonadismo ou outras condições que resultem em baixa produção de testosterona, sempre mediante diagnóstico clínico. O hipogonadismo, caracterizado pela produção insuficiente do hormônio, pode ser identificado por meio de sintomas específicos ou exames laboratoriais. O texto do PL estabelece que a implementação da terapia no SUS deverá seguir rigorosos protocolos clínicos e normas definidas pelo Ministério da Saúde, garantindo avaliação clínica abrangente, acesso gratuito e igualitário a todos os diagnosticados, sem discriminação socioeconômica, e monitoramento contínuo da saúde dos pacientes para ajustes de doses e avaliação da eficácia. O deputado Pinato salienta a gravidade da deficiência de testosterona, que pode estar associada a um aumento na incidência de doenças cardiovasculares, osteoporose, alterações metabólicas e impactos negativos na saúde mental, como quadros de depressão e ansiedade.

Impacto para os trabalhadores e o serviço público

A eventual aprovação deste projeto de lei implicará em desafios significativos e demandará adaptações estruturais no serviço público de saúde. Para os trabalhadores da saúde, a oferta ampliada de TRH representará uma carga de trabalho adicional, exigindo capacitação específica para o diagnóstico, acompanhamento e manejo dos pacientes. A expansão de um tratamento de longo prazo como a terapia hormonal demandará investimentos contínuos em recursos humanos e materiais, potencialmente impactando o orçamento já disputado do SUS e a distribuição de recursos para outras áreas essenciais. Sindicatos e associações de profissionais de saúde podem levantar questões sobre a necessidade de garantir estrutura adequada e número suficiente de especialistas para atender à demanda sem comprometer a qualidade de outros serviços. Além disso, a proposta reacende o debate sobre a equidade no acesso à saúde, aprimorando a capacidade do SUS de atender a novas demandas sem gerar longas filas de espera ou disparidades regionais que afetam principalmente a classe trabalhadora e populações vulneráveis.

Próximos desdobramentos legislativos

O Projeto de Lei 6422/25 segue em tramitação em caráter conclusivo na Câmara dos Deputados, onde será submetido à análise de importantes comissões. Entre elas estão a Comissão de Saúde; a Comissão de Finanças e Tributação, que avaliará o impacto orçamentário e a viabilidade econômica da proposta; e a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, responsável por verificar a conformidade legal do texto. Para que a TRH seja efetivamente incorporada como um direito no SUS, o projeto necessitará da aprovação tanto dos deputados quanto dos senadores, além da sanção presidencial. Este processo legislativo será acompanhado de perto por entidades ligadas à saúde pública e aos direitos trabalhistas, dado o potencial impacto social e econômico da medida no Brasil.

Fonte: https://www.camara.leg.br