A greve de enfermeiros em Nova York mobiliza cerca de 15 mil profissionais e já é considerada a maior paralisação da categoria na história da cidade. O movimento começou na manhã desta segunda-feira (12), após o fracasso de meses de negociações para a renovação dos contratos coletivos com grandes redes hospitalares privadas.
Além disso, a paralisação afeta unidades de referência como Mount Sinai, Montefiore Medical Center e NewYork-Presbyterian. Os enfermeiros são representados pela Associação de Enfermeiros do Estado de Nova York (NYSNA), que acusa as administrações hospitalares de priorizarem lucros em detrimento da segurança de pacientes e trabalhadores.
Reivindicações centrais da greve de enfermeiros em Nova York
Segundo a NYSNA, os profissionais exigem reajustes salariais que podem chegar a 40% ao longo de três anos. Além disso, a categoria cobra garantias de níveis seguros de pessoal, diante da escassez crônica de enfermeiros nas unidades de atendimento.
Nesse sentido, o sindicato afirma que equipes reduzidas colocam vidas em risco e provocam exaustão extrema entre os trabalhadores. A entidade também denuncia tentativas das administrações de cortar ou reduzir benefícios de saúde, além de retroceder em padrões mínimos de pessoal já conquistados.
Por outro lado, as administrações hospitalares classificam as demandas econômicas como “extremas”. Como resposta à paralisação, os grupos informaram a contratação de centenas de enfermeiros temporários, o cancelamento de cirurgias eletivas e o redirecionamento de ambulâncias para unidades não afetadas pela greve.
Hospitais bilionários e disputa por condições de trabalho
Dados do rastreador financeiro da ProPublica mostram que os hospitais envolvidos registraram lucros expressivos em 2024. O NewYork-Presbyterian teve lucro líquido de US$ 547 milhões, enquanto o Mount Sinai alcançou US$ 114 milhões e o Montefiore, US$ 288,62 milhões.
Dessa forma, o sindicato argumenta que há recursos suficientes para atender às reivindicações. A NYSNA sustenta que a gestão dos hospitais mais ricos da cidade ameaça reduzir benefícios de saúde e enfraquecer regras de pessoal seguro estabelecidas por lei estadual.
Em 2021, o estado de Nova York aprovou a exigência de comitês hospitalares para definir planos de pessoal por setor, incluindo a proporção mínima de um enfermeiro para cada dois pacientes em unidades de terapia intensiva. Em 2023, após uma greve de três dias, a categoria conseguiu estender essas normas a todas as unidades por meio de arbitragem.
Segurança, violência e impacto da pandemia
Além das questões salariais, a greve de enfermeiros em Nova York também envolve preocupações com a segurança no trabalho. O sindicato afirma que as administrações não avançaram em medidas para proteger profissionais diante do aumento da violência em hospitais.
Como resultado, representantes sindicais defendem a instalação de detectores de metais nas entradas das unidades. A preocupação ganhou força após um incidente com atirador ativo em um hospital Mount Sinai, em novembro, e um tiroteio fatal em um hospital do NewYork-Presbyterian no Brooklyn, na semana passada.
Segundo ativistas e profissionais presentes nos piquetes, a experiência da pandemia de Covid-19 ainda pesa sobre a categoria. Muitos enfermeiros relatam sobrecarga constante e falta de pessoal desde o período mais crítico da crise sanitária.
Prefeito apoia greve histórica de enfermeiros
O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, manifestou apoio público aos grevistas e participou de atos em frente a hospitais de Manhattan. Segundo ele, os enfermeiros desempenharam papel essencial em momentos decisivos da história recente da cidade.
“Nenhum enfermeiro deveria ser convidado a aceitar menos salários, menos benefícios ou menos dignidade por realizar um trabalho que salva vidas”, declarou Mamdani em publicação nas redes sociais. Além disso, o prefeito destacou a atuação da categoria durante os ataques de 11 de setembro e durante a pandemia global.
Nesse sentido, Mamdani apelou para que as partes retomem imediatamente as negociações. Para o prefeito, a greve não se resume a salários e benefícios, mas envolve a definição de quem se beneficia do sistema de saúde.
Estado de emergência e cenário político
Diante do impacto da paralisação, autoridades locais decretaram estado de emergência. A greve ocorre em meio a uma temporada severa de gripe em Nova York, que elevou as hospitalizações e pressionou ainda mais o sistema de saúde.
Por fim, o movimento representa um teste político relevante em nível municipal e estadual. A governadora Kathy Hochul, que disputa a reeleição, afirmou que sua prioridade é proteger os pacientes e, ao mesmo tempo, chegar a um acordo que reconheça o trabalho essencial dos enfermeiros.
Enquanto isso, os piquetes seguem reunindo milhares de profissionais com cartazes e palavras de ordem como “Contrato justo agora”.
Foto: Timothy A. Clary / AFP
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