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CCJ aprova validade permanente para laudo de fibromialgia e reduz burocracia para trabalhadores

Laudo permanente para fibromialgia avança no Congresso
CCJ aprova validade permanente para laudo de fibromialgia e reduz burocracia para trabalhadores

Informação baseada em tramitação da Câmara dos Deputados, após aprovação na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ).

A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara aprovou um projeto que pode aliviar, na prática, a vida de milhões de trabalhadores e trabalhadoras que convivem com a fibromialgia. A proposta garante validade permanente ao laudo médico que comprova o diagnóstico da doença, exigindo atualização apenas se houver mudança no estado de saúde do paciente.

O texto segue agora para o Senado Federal, a menos que haja recurso para votação no Plenário da Câmara. Se virar lei, a medida representa um passo concreto contra a burocracia que pesa justamente sobre quem já convive com dor crônica, fadiga e limitações no trabalho.


O que é fibromialgia e quem é mais afetado

A fibromialgia é uma síndrome crônica caracterizada por dores persistentes em todo o corpo, especialmente em músculos e articulações. Também provoca fadiga intensa, distúrbios do sono, ansiedade, depressão e dificuldades cognitivas.

Estudos indicam que entre 2% e 4% da população mundial convivem com a condição. No Brasil, a estimativa é de mais de 4 milhões de pessoas, em sua maioria mulheres entre 30 e 60 anos — muitas delas trabalhadoras que enfrentam jornadas exaustivas e pouco acolhimento no ambiente profissional.


O que diz o projeto aprovado na CCJ

O Projeto de Lei 1857/24 foi aprovado com alterações, por recomendação da relatora na CCJ, deputada Laura Carneiro (PSD-RJ), que corrigiu problemas técnicos do texto original. Em vez de criar uma nova norma, o projeto altera a legislação já existente sobre o atendimento a pessoas com fibromialgia no SUS (Lei 14.705/23).

Na Comissão de Saúde, a relatora Carmen Zanotto (Cidadania-SC) destacou o objetivo central da proposta: acabar com a exigência repetitiva de laudos para uma doença reconhecidamente crônica e sem cura definitiva.


Menos burocracia, mais acesso a direitos

Para quem convive com fibromialgia, renovar laudos periodicamente não é apenas cansativo — é humilhante e excludente. A exigência constante de comprovação médica dificulta o acesso a:

  • serviços de saúde,
  • benefícios previdenciários,
  • adaptações no trabalho,
  • políticas de inclusão.

A validade permanente do laudo reduz esse obstáculo e reconhece a realidade concreta dos pacientes, algo que movimentos sociais e entidades de trabalhadores reivindicam há anos.


Fibromialgia e direitos trabalhistas

No mundo do trabalho, a fibromialgia tem impactos profundos. Dor contínua, fadiga, alterações de humor, dificuldades de concentração e crises recorrentes afetam a capacidade laboral.

A Justiça do Trabalho tem reconhecido, de forma reiterada, que a demissão de trabalhadores com fibromialgia pode ser discriminatória, especialmente quando a empresa tem conhecimento da doença por afastamentos frequentes. Nesses casos, decisões judiciais têm garantido:

  • reintegração ao emprego,
  • pagamento de salários atrasados,
  • restabelecimento de plano de saúde,
  • encaminhamento ao INSS.

Afastamento, INSS e benefícios previdenciários

A fibromialgia pode justificar afastamento do trabalho e acesso a benefícios do INSS:

  • Auxílio-doença, quando há incapacidade temporária comprovada em perícia médica;
  • Aposentadoria por invalidez, quando a incapacidade é total e permanente;
  • Cumprimento da carência mínima de 12 contribuições mensais, conforme a legislação previdenciária.

A exigência de laudos constantes, porém, sempre foi um entrave — agora, parcialmente enfrentado.


Reconhecimento como pessoa com deficiência

A partir de 2026, pessoas com fibromialgia passam a ser equiparadas legalmente às pessoas com deficiência (PcD), desde que submetidas a avaliação biopsicossocial, conforme a Lei nº 15.176/2025.

Isso significa que a Lei de Cotas passa a incluir trabalhadores com fibromialgia, obrigando empresas com mais de 100 empregados a reservar de 2% a 5% das vagas também para esse público.


O desafio para as empresas

A mudança legal impõe responsabilidades claras ao setor patronal:

  • adaptação do ambiente de trabalho,
  • políticas de inclusão e acolhimento,
  • ergonomia, flexibilidade de jornada e acompanhamento médico,
  • combate ao preconceito e à discriminação.

Mais do que cumprir cotas, será necessário respeitar limites e garantir condições dignas de trabalho.


Próximos passos no Congresso

O projeto tramita em caráter conclusivo. Após a aprovação na CCJ, segue para o Senado Federal. Para virar lei, ainda precisa do aval das duas Casas.

Se aprovado em definitivo, o texto será um avanço importante no reconhecimento da fibromialgia como uma condição que exige proteção social, menos burocracia e mais respeito.

👉 A pergunta que fica: o Estado e as empresas estão preparados para garantir, na prática, os direitos de quem trabalha sentindo dor todos os dias?


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