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Bombas, petróleo e poder: EUA atacam a Venezuela, capturam Maduro e anunciam governo de transição sob controle americano

Estados Unidos ampliam ofensiva imperialista, falam em “governar” o país e abrir exploração do petróleo a empresas dos EUA
Bombas, petróleo e poder: EUA atacam a Venezuela e capturam Maduro

Com base em informações publicadas originalmente pela Deutsche Welle (DW), em cobertura ao vivo divulgada na madrugada deste sábado (03/01).

Os Estados Unidos lançaram um ataque militar em larga escala contra a Venezuela, confirmaram a captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, e anunciaram que passarão a administrar o país temporariamente, até uma transição de poder considerada “segura” por Washington.

A ofensiva foi confirmada publicamente pelo presidente norte-americano Donald Trump, que afirmou que Maduro será levado a julgamento em Nova York, acusado de crimes ligados ao chamado “narcoterrorismo”. Em declarações explícitas, Trump também disse que petrolíferas americanas terão forte envolvimento com a exploração do petróleo venezuelano.

🕒 Linha do tempo: ataque dos EUA e captura de Nicolás Maduro

  • Donald Trump afirma que o governo venezuelano tentou negociar uma saída política. Segundo o presidente dos EUA, a proposta foi rejeitada por Washington.

  • A operação militar estava prevista para ocorrer dias antes, mas foi adiada devido a condições climáticas desfavoráveis, segundo Trump.

  • Fortes explosões e sobrevoo de aviões militares são registrados em Caracas e nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira.

  • Trump anuncia em sua rede Truth Social um “ataque em larga escala” e afirma que Nicolás Maduro e Cilia Flores foram capturados e retirados da Venezuela.

  • O presidente dos EUA detalha a operação, afirmando que a captura durou 47 segundos, e publica imagem de Maduro algemado e vendado a bordo do USS Iwo Jima.

  • Autoridades americanas confirmam que Maduro será levado a julgamento em Nova York por acusações relacionadas ao chamado “narcoterrorismo”.

  • Em coletiva em Mar-a-Lago, Trump declara que os Estados Unidos vão governar temporariamente a Venezuela e ameaça uma nova onda de ataques.

  • A vice-presidente Delcy Rodríguez afirma que Maduro é o único presidente legítimo, exige prova de vida e anuncia a ativação do Conselho de Defesa da Nação.

  • Lula condena o ataque como violação do direito internacional. ONU alerta para “precedente perigoso”. China e Rússia condenam a ofensiva, enquanto Israel e Argentina elogiam a ação.

  • Trump reforça o interesse no petróleo venezuelano e afirma que empresas americanas irão explorar as reservas do país. O Conselho de Segurança da ONU é acionado.

Organizações internacionais, governos e movimentos sociais classificam a ação como uma violação flagrante do direito internacional, um precedente perigoso e a mais grave intervenção direta dos EUA na América Latina em décadas — com impactos diretos sobre trabalhadores, sindicatos e a soberania regional.


Ataque em larga escala e explosões em áreas urbanas

Explosões e ruídos de aeronaves militares foram registrados durante a madrugada em Caracas e em outros estados venezuelanos, como Miranda, Aragua e La Guaira, onde estão localizados o aeroporto e o principal porto da capital.

O governo venezuelano denunciou que alvos civis e militares foram atingidos, classificando a operação como uma “agressão militar gravíssima”. O espaço aéreo foi esvaziado, e moradores relataram pânico ao acordar sob o som de bombas.


Captura de Maduro: “47 segundos”

Donald Trump afirmou que a captura de Nicolás Maduro durou 47 segundos. Segundo o presidente dos EUA, forças especiais invadiram uma área fortemente protegida da residência presidencial.

Trump chegou a publicar em sua rede social Truth Social uma foto de Maduro algemado e vendado, afirmando que ele estava a bordo do navio de guerra USS Iwo Jima, sendo transportado para os Estados Unidos.

Bombas, petróleo e poder: EUA atacam a Venezuela, capturam Maduro e anunciam governo de transição sob controle americano

Organizações internacionalistas e juristas classificam o episódio como sequestro de um chefe de Estado em exercício, prática considerada ilegal e extremamente grave nas relações internacionais.


EUA dizem que vão “governar” a Venezuela

Em coletiva de imprensa em Mar-a-Lago, na Flórida, Trump afirmou que os Estados Unidos vão administrar a Venezuela até que seja possível uma transição de poder “adequada e criteriosa”.

Segundo ele, integrantes de seu governo, com destaque para o secretário de Estado Marco Rubio, serão responsáveis pela condução do país. Trump não descartou novas ondas de ataques militares, ainda maiores, caso haja resistência interna.

Não está claro quem assumirá formalmente o poder. Trump descartou a líder da oposição María Corina Machado, afirmando que ela não teria apoio suficiente. Ao mesmo tempo, sugeriu que a vice-presidente Delcy Rodríguez poderia colaborar com os EUA — versão negada por ela.


Delcy Rodríguez reage: “Não seremos colônia”

Em pronunciamento, a vice-presidente Delcy Rodríguez afirmou que Maduro é o único presidente legítimo da Venezuela, exigiu prova de vida dele e de sua esposa e declarou que o país não será colônia de nenhuma potência estrangeira.

Ela anunciou a ativação do Conselho de Defesa da Nação e o envio ao Tribunal Supremo de Justiça de um decreto que concede faculdades especiais diante da agressão externa.


A velha narrativa do “narcoterrorismo”

O governo dos EUA justificou a ofensiva com acusações de que Maduro lideraria uma organização “narcoterrorista”, discurso reiterado por Marco Rubio.

Na América Latina, essa narrativa é conhecida: ao longo de décadas, a chamada “guerra às drogas” foi usada como pretexto para sanções, bloqueios, golpes e intervenções militares, quase sempre com consequências devastadoras para a população trabalhadora.


Petróleo no centro da ofensiva

Trump foi explícito ao afirmar que empresas petrolíferas americanas irão explorar as maiores reservas de petróleo do mundo, localizadas na Venezuela.

“Precisamos dessa energia para nós e para o mundo”, disse o presidente, admitindo que a infraestrutura petrolífera será reconstruída por companhias dos EUA, com investimentos bilionários.

A declaração desmonta qualquer discurso humanitário: o núcleo da ofensiva é o controle econômico e energético, não a democracia.


Reação internacional: condenações e apoios

A ofensiva gerou forte reação internacional:

  • Brasil: Lula condenou a ação como “flagrante violação do direito internacional” e alertou para o risco de desestabilização regional.
  • ONU: o secretário-geral António Guterres disse que a operação cria um “precedente perigoso”.
  • China e Rússia: condenaram duramente o ataque, classificando-o como agressão armada.
  • União Europeia: pediu moderação e respeito à Carta da ONU.
  • Israel e Argentina (Javier Milei): elogiaram a ação militar dos EUA.

Enquanto potências disputam narrativas, quem sofre são os povos.


O que essa guerra significa para os trabalhadores?

Quando bombas caem, não são generais que perdem direitos. São trabalhadores. São sindicatos enfraquecidos. São salários corroídos, serviços públicos destruídos e liberdades suspensas em nome da “segurança”.

A história latino-americana é clara: intervenções militares não libertam povos. Elas reorganizam o poder para beneficiar elites, grandes corporações e interesses estrangeiros — enquanto a conta recai sobre quem vive do trabalho.

👉 Fica a reflexão: quem ganha com essa guerra? Quem controla o petróleo? E, mais uma vez, quem paga o preço?

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