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Comissão de Lutas do HCPA denuncia omissão do Sindisaúde-RS e cobra cumprimento das decisões da assembleia

Trabalhadores acusam direção sindical de ignorar deliberações da base, silenciar sobre o PCS e abandonar mobilização pelas 180 horas
Comissão de Lutas do HCPA denuncia omissão do Sindisaúde-RS e cobra cumprimento das decisões da assembleia

A Comissão de Lutas do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) tornou pública uma denúncia política contra a atual direção do SINDISAÚDE-RS, acusando o sindicato de omissão, inércia e descumprimento das decisões aprovadas em assembleia geral da categoria.

De acordo com o informativo divulgado pela Comissão (Edição 01 – fevereiro de 2026), dois meses após a última Assembleia Geral, a direção sindical não teria encaminhado nenhuma das deliberações votadas pela base, especialmente no que diz respeito à luta pelas 180 horas mensais sem redução salarial e ao posicionamento sobre o Plano de Cargos e Salários (PCS).

“Dois meses de omissão”

A Comissão afirma que o silêncio da direção sindical diante de temas estratégicos representa um rompimento com a categoria. Segundo o boletim, não houve:

  • Mobilizações efetivas nos portões do hospital;
  • Articulação política junto a parlamentares e órgãos competentes;
  • Construção de unidade com outras entidades sindicais;
  • Divulgação de materiais sobre as 180 horas, voto igualitário ou resistência à Reforma Administrativa.

Ainda segundo o documento, materiais produzidos sobre essas pautas teriam sido descartados pela atual gestão sindical, o que é interpretado como esvaziamento deliberado da mobilização.

A Comissão sustenta que a assembleia é a instância máxima de decisão da categoria e que ignorar suas deliberações afronta o próprio estatuto sindical.

PCS sem posicionamento claro

Outro ponto central da denúncia é a ausência de posicionamento público da direção do SINDISAÚDE-RS sobre o Plano de Cargos e Salários proposto pela direção do HCPA.

O informativo aponta que, enquanto a administração do hospital avança na estruturação dos grupos de análise do PCS — com composição definida por sorteio e exigência de termo de confidencialidade —, o sindicato permanece em silêncio.

A Comissão questiona:

  • A composição dos grupos com três membros sorteados, um representante sindical e um das associações;
  • A exigência de confidencialidade em um processo que envolve uma empresa pública;
  • O número reduzido de representantes na consolidação das informações que impactarão diretamente salários e progressões.

Segundo o boletim, dos 20 integrantes dos quatro comitês, seis são chefias, seis funcionários, quatro representantes sindicais e quatro de associações — número considerado insuficiente diante da dimensão das mudanças previstas.

Além disso, em reunião com o sindicato e a comissão, a resposta sobre a incorporação das 180 horas ao PCS teria sido: “não podemos garantir que terá 180h”.

Para a Comissão de Lutas, o silêncio da direção sindical diante dessa incerteza reforça a preocupação da base.

Assembleia rejeitou atrelamento das 180h ao PCS

A denúncia ocorre no contexto da assembleia realizada em 7 de novembro de 2025, no Parque Social da ASHCLIN, onde trabalhadores deliberaram, por unanimidade, pela retomada da luta pelas 180 horas mensais sem redução salarial.

Na mesma ocasião, a categoria rejeitou o atrelamento das 180 horas à adesão ao PCS, considerando a estratégia inaceitável.

A Comissão afirma que a reivindicação das 180 horas é histórica e impacta cerca de 40% dos trabalhadores do hospital.

Reforma Administrativa e voto igualitário

O informativo também reafirma a oposição da categoria à Reforma Administrativa em debate no Congresso Nacional e a defesa do voto igualitário nas eleições para a presidência do HCPA.

Segundo a Comissão, o ataque aos trabalhadores do hospital integra um processo mais amplo de precarização do serviço público, que exige mobilização permanente.

Exigência de retomada do papel combativo

A Comissão de Lutas conclui exigindo que a direção do SINDISAÚDE-RS retome imediatamente seu papel institucional e combativo, transformando as decisões aprovadas em assembleia em ações concretas de organização e pressão política.

Para os trabalhadores organizados na Comissão, sem mobilização efetiva e cumprimento das deliberações da base, não haverá avanço nas pautas centrais da categoria.