Em 2025, o governo federal destinou R$ 891,9 bilhões apenas ao pagamento de juros da dívida pública, segundo dados divulgados pelo Banco Central em 30 de janeiro. Considerando os pagamentos de estados, municípios e empresas estatais, o total supera R$ 1 trilhão, recursos que beneficiam principalmente bancos e fundos de investimento.
Juros impulsionam crescimento da dívida
A dívida bruta do governo federal atingiu R$ 9,6 trilhões em dezembro de 2025, um aumento de R$ 1 trilhão em relação a 2024. Esse crescimento não ocorreu por aumento de gastos, mas pela emissão de nova dívida para pagar a anterior. O déficit primário do governo ficou em cerca de R$ 58,7 bilhões, dentro da meta do Arcabouço Fiscal, mas o déficit nominal totalizou R$ 950 bilhões. Os juros representaram aproximadamente 94% desse déficit, mostrando que são eles, e não a “gastança”, que impulsionam a relação dívida/PIB.
Cortes em áreas sociais
Enquanto bilhões são destinados ao pagamento de juros, ministérios como saúde e educação sofreram cortes e congelamentos de recursos. Mudanças nas regras do BPC e o reajuste menor do salário mínimo também foram justificadas como medidas para equilibrar as contas. O impacto recai sobre trabalhadores e população, enquanto bancos e rentistas continuam recebendo pagamentos vultosos.
Quem detém a dívida pública
O setor financeiro concentra a maior parte da dívida da União: 33% nas mãos de bancos, 21% em fundos de investimento e 23% em fundos de previdência privada, muitos ligados aos maiores bancos do país. Não-residentes detêm 10,3%, seguradoras 3,5% e o próprio governo ou estados e municípios 3%. Esse controle dá aos bancos enorme poder sobre o orçamento federal e influencia decisões sobre reformas e cortes.
Saída e impactos
Os juros da dívida não só drenam recursos internos, mas também enviam dinheiro ao exterior. Em 2025, US$ 39 bilhões (R$ 205 bilhões) foram remetidos como pagamento de juros a investidores internacionais. Especialistas críticos apontam que a redução ou suspensão do pagamento da dívida seria a forma mais eficaz de combater cortes, austeridade e políticas de austeridade que prejudicam serviços públicos e programas sociais.
O debate sobre a dívida pública evidencia o impacto das políticas do Arcabouço Fiscal e do atual governo, mostrando que os recursos destinados a juros e rentistas competem diretamente com as necessidades sociais e o financiamento de direitos básicos da população.
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