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Correios públicos: sindicatos exigem participação dos trabalhadores na reconstrução da empresa

Correios públicos: sindicatos exigem participação dos trabalhadores na reconstrução da empresa

Correios públicos voltaram ao centro do debate sindical nacional após entidades representativas protocolarem um ofício que cobra mudanças estruturais na condução da empresa. Além disso, os sindicatos defendem que a saída para a crise passa, obrigatoriamente, pela participação ativa dos trabalhadores nas decisões estratégicas.

Nesse contexto, sindicatos filiados à FINDECT protocolaram, em 15 de janeiro de 2026, um documento oficial à Presidência da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. Assim, as entidades reforçam que a reconstrução da estatal exige diálogo, transparência e respeito a quem mantém o serviço postal funcionando diariamente.

Crise nos Correios públicos não foi causada pelos trabalhadores

De acordo com o diagnóstico apresentado, os problemas financeiros dos Correios públicos não decorrem da atuação dos empregados. Ao contrário, resultam de decisões políticas e administrativas que reduziram receitas estratégicas e mantiveram sobre a empresa o custo integral da universalização do serviço postal.

Nesse sentido, a FINDECT lembra que alertou repetidas vezes a gestão anterior sobre o agravamento da situação financeira. No entanto, grande parte dos ofícios e propostas encaminhados foi ignorada, o que contribuiu para o aprofundamento da crise.

Portaria do Ministério da Fazenda ampliou prejuízos

Entre os fatores centrais, os sindicatos destacam os efeitos da Portaria do Ministério da Fazenda nº 1.086/2024. Como resultado, grandes plataformas internacionais passaram a operar logística própria no Brasil, retirando dos Correios públicos uma das principais fontes de receita.

Segundo dados apresentados no ofício, essa medida já provocou prejuízo superior a R$ 2,1 bilhões até abril de 2025. Além disso, a estatal segue responsável por atender todos os municípios brasileiros, assumindo sozinha o custo da universalização.

TCU alerta para desequilíbrio estrutural

Além das entidades sindicais, o Tribunal de Contas da União também apontou problemas estruturais no modelo atual. Dessa forma, o TCU alertou para a inexistência de mecanismos de compensação pelos custos da universalização do serviço postal.

Na prática, cerca de 85% das agências operam com déficit, mantendo a presença do Estado em mais de 5.500 municípios. Por outro lado, a queda no monopólio das cartas inviabilizou o modelo tradicional de subsídio cruzado.

Propostas para reconstruir os Correios públicos

Diante desse cenário, os sindicatos apresentaram um conjunto de propostas para enfrentar a crise. Entre elas, está a participação imediata e paritária dos trabalhadores em todos os grupos de trabalho de reestruturação da empresa.

Além disso, as entidades defendem a criação de um Comitê de Crise Interministerial, envolvendo Casa Civil, Ministérios e representantes dos trabalhadores. Assim, a solução deixaria de ser pontual e passaria a ser uma política de Estado.

CIDE-Postal e devolução de dividendos

Outro ponto central é a proposta de criação de uma CIDE-Postal. Nesse modelo, grandes operadores privados e marketplaces contribuiriam para o financiamento do serviço postal universal.

Ao mesmo tempo, os sindicatos reivindicam a devolução de aproximadamente R$ 2,9 bilhões em dividendos pagos à União entre 2011 e 2013. Como consequência, a medida permitiria recompor o capital de giro da estatal.

Trabalhadores no centro das decisões

Para as entidades, decisões unilaterais, como suspensão de férias e imposição de medidas sem diálogo, ampliam o adoecimento e a judicialização. Por isso, defendem a reabertura da Mesa Nacional de Negociação Permanente para discutir carreira, salários e condições de trabalho.

Nesse debate, a atuação sindical é estratégica. Inclusive, outras experiências de organização dos trabalhadores podem ser acompanhadas na editoria de Sindicatos, que reúne análises e lutas em defesa dos serviços públicos.

Correios públicos como patrimônio social

Mais do que números, os sindicatos afirmam que os Correios públicos cumprem um papel social essencial. Dessa forma, não podem ser tratados apenas como uma planilha de custos submetida à lógica do mercado.

Segundo a FINDECT, a resiliência dos trabalhadores é o maior ativo da empresa. Por fim, as entidades reafirmam que reconstruir os Correios com participação popular é defender soberania, inclusão territorial e direitos trabalhistas.

Para aprofundar o debate sobre governança e serviços postais públicos, organismos internacionais também alertam para os riscos da liberalização sem compensações, como aponta a União Postal Universal (UPU), referência global no tema.