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Greve geral nos EUA: trabalhadores são chamados a paralisar o país em 23 de janeiro

A greve geral nos EUA convocada para 23 de janeiro, em Minnesota, expressa a luta de classes contra a repressão e o ataque aos trabalhadores.
Greve geral nos EUA: trabalhadores são chamados a paralisar o país em 23 de janeiro

A greve geral nos EUA convocada para o dia 23 de janeiro, no estado de Minnesota, marca um momento decisivo da luta de classes no país. Trabalhadores, sindicatos e organizações comunitárias chamam a população a paralisar atividades, não consumir e não frequentar escolas como resposta direta à violência estatal e à repressão contra comunidades trabalhadoras, especialmente imigrantes.

Além disso, a mobilização ajuda a compreender, de forma didática, como funciona o conflito entre capital, Estado e classe trabalhadora nos Estados Unidos, realidade que muitas vezes chega ao Brasil de maneira distorcida ou superficial.

Greve geral nos EUA surge como resposta à violência do Estado

Nesse sentido, a paralisação foi convocada após o assassinato de Renee Nicole Good por um agente federal de imigração. O caso desencadeou uma onda de indignação ao evidenciar práticas de perseguição, sequestros e agressões físicas realizadas por forças federais em bairros populares.

Além disso, moradores relataram a presença constante de agentes mascarados, retirando pessoas de seus locais de trabalho, intimidando comunidades inteiras e espalhando medo. Para os organizadores, essas ações configuram uma política de terror institucional.

Por outro lado, autoridades do governo federal passaram a difamar a vítima e a justificar a violência, o que aprofundou a revolta popular e acelerou a convocação da greve.

Sindicatos e comunidades impulsionam a greve geral nos EUA

Como resultado, sindicatos de diferentes categorias aderiram ao chamado, ao lado de organizações comunitárias e religiosas. Professores, trabalhadores do setor de serviços, da limpeza e do transporte assumiram papel central na mobilização.

Além disso, o formato escolhido — parar de trabalhar, consumir e estudar — revela uma compreensão concreta da força da classe trabalhadora. Quando a produção e a circulação de mercadorias param, o sistema econômico sente o impacto imediato.

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Embora o termo “greve” não apareça formalmente em todos os materiais, a natureza da convocação deixa claro que se trata de uma greve geral em escala estadual, com potencial de se espalhar para outras regiões do país.

O papel das forças de imigração na luta de classes

Nesse contexto, é fundamental explicar aos trabalhadores brasileiros o papel do órgão federal de imigração nos Estados Unidos. Originalmente criado para controlar fronteiras, ele se transformou em uma força repressiva de caráter paramilitar.

Além disso, o governo federal ampliou de forma expressiva o orçamento e o efetivo dessa força nos últimos anos. O crescimento acelerado ocorreu com treinamento precário, baixa fiscalização e forte incentivo político.

Por outro lado, denúncias apontam que setores de extrema direita passaram a integrar esse aparato repressivo. O resultado é uma força que atua com detenções arbitrárias, violência aberta e recusa em se identificar, operando à margem das garantias democráticas.

Por que a greve geral assusta o poder nos EUA

No entanto, governadores e prefeitos ligados aos partidos tradicionais responderam à crise com discursos duros e ações judiciais. Essas iniciativas, embora visíveis, não afetam diretamente os interesses econômicos que sustentam a repressão.

Como resultado, trabalhadores e lideranças sindicais optaram por outro caminho: a paralisação geral. A greve geral não enfrenta o Estado apenas no campo jurídico, mas no coração do sistema capitalista, atingindo lucros e cadeias produtivas.

Além disso, a paralisação reduz o risco de confronto direto com forças armadas e desloca a luta para o terreno coletivo, onde a classe trabalhadora atua de forma organizada.

Greve geral nos EUA e a tradição internacional de luta

Por outro lado, greves gerais são raras nos Estados Unidos. O país construiu, ao longo do século XX, um sistema sindical fortemente controlado e submetido a leis que dificultam paralisações amplas.

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No entanto, em outros países, greves gerais fazem parte da tradição de luta da classe trabalhadora. Em momentos de crise política, social ou econômica, trabalhadores recorrem à paralisação como instrumento legítimo de pressão.

Nesse sentido, a greve geral nos EUA rompe um tabu histórico e indica um possível processo de radicalização das lutas sociais no país.

O que a greve geral nos EUA ensina aos trabalhadores brasileiros

Por fim, a experiência de Minnesota oferece lições importantes aos trabalhadores brasileiros. A repressão estatal, a criminalização de populações pobres e o fortalecimento de forças armadas internas não são exclusividade dos Estados Unidos.

Dessa forma, compreender a greve geral nos EUA ajuda a perceber que a luta por direitos sociais, trabalhistas e democráticos exige organização coletiva e enfrentamento direto aos interesses econômicos dominantes.

Como resultado, a mobilização reforça uma ideia central da luta de classes: quando direitos são atacados e a violência do Estado se intensifica, a resposta mais poderosa dos trabalhadores é a paralisação organizada.

Esse debate dialoga com a realidade brasileira, onde juventude, trabalhadores precarizados e setores populares buscam novas formas de resistência coletiva diante do avanço da repressão estatal e da precarização do trabalho. Essas experiências internacionais podem ser acompanhadas de forma permanente na editoria Internacional, que reúne análises sobre conflitos trabalhistas, mobilizações sociais e disputas políticas em diferentes países. No caso dos Estados Unidos, a convocação de paralisações e protestos em Minnesota ocorre em um contexto mais amplo de questionamentos ao papel do ICE e ao uso crescente de forças federais contra comunidades trabalhadoras e imigrantes, tema que vem sendo tratado por veículos jornalísticos internacionais ao analisar a escalada de tensões sociais e políticas no país, como aponta cobertura da agência Reuters.